Ana Piedade
A hipótese de compreender de que forma se pode compatibilizar ambientes analógicos com ambientes predominantemente digitais é uma enorme vantagem para responder aos novos desafios que as instituições de ensino superior enfrentam, sobretudo no que concerne à conceção e lecionação de mestrados. Compatibilizar a pesquisa de informação e transformá-la em conhecimento e desenvolver competências nos estudantes/formandos, são dimensões que não devem ser descuradas nas e-atividades com vista à avaliação. Por um lado, temos, enquanto docentes, que dar resposta às solicitações de estudantes de diferentes regiões do globo, falantes de diferentes línguas, em linha com a desejada internacionalização das instituições de ensino superior; mas,por outro, temos (docentes e não docentes), que recentrar as nossa próprias aprendizagens. Aprender a avaliar com tempos diferentes, converter a avaliação (apenas) dos conteúdos para passar a avaliar competências (como propõe Bolonha ainda por concretizar), é fundamental. Mas está interligado com a nova proposta do professor mediador do conhecimento e impulsionador de metodologias colaborativas em ambientes digitais, que não contabiliza as horas das aulas síncronas como o faz relativamente à horas presenciais - agora prevê o tempo que diferentes estudantes, com diferentes conhecimentos (dos softwares e dos conteúdos), levam a apreender a informação, refletir sobre ela, adquirir competências a partir das atividades e dos documentos digitalizados e, ainda, a cumprir as tarefas de avaliação, também elas flexíveis do ponto de vista do tempo da sua realização. São tempos desafiantes e que irão requerer, por parte das instituições, por vezes cristalizadas nas suas estruturas, uma transformação, em alguns casos, profunda mas necessária para tornar efetivas as estratégias da nova onda de estudantes que procuram formação ao longo da vida, em ambientes digitais e flexíveis, amigos do tempo do indivíduo em detrimento do tempo do grupo ou do tempo da instituição que frequentam. Ana Piedade