- Resultado e Análise dos Dados
O artigo cita na metodologia que os dados foram analisados seguindo a Análise de Conteúdo de Bardin, mas não fica explícito na análise de qual maneira utilizou-se Bardin na construção desses dados e resultados. Para além disso, a discussão carece de aprofundamento e poderia estar melhor fundamentada com emprego de referenciais teóricos mais robustos. Trazer, por exemplo, a partir da literatura disponível quais são os indicadores do processo da Alfabetização Científica e estabelecer conexão entre a presença ou não desses indicadores nos resultados observados após a aplicação da SD. O texto afirma que a construção de um mapa mental promoveu um aprendizado significativo dos alunos frente a temática da alimentação saudável, contudo, essa afirmação não se encontra sustentada por fundamentação teórica pertinente no corpo do trabalho. Foi notório que a utilização da SD contribuiu para promoção de um trabalho interdisciplinar e contextualizado acerca da temática da alimentação saudável, mas é precipitado afirmar que houve mudança evidente nos hábitos alimentares dos alunos participantes (pag. 21). O corpo da pesquisa era formado por crianças de 06 a 07 anos, idade em que grande parte da responsabilidade alimentar está a cargo dos seus responsáveis. Nessa fase, provavelmente as escolhas alimentares não são totalmente autônomas e estão intimamente relacionadas a dinâmica familiar em que a criança está inserida.
- Conclusões e Implicações
Baseada nos resultados e na discussão presente no texto, teria cautela em concluir que a SD proporcionou Alfabetização Científica. A partir das informações do artigo, o que podemos constatar é que há sim uma contribuição da SD na tentativa de promover um processo de alfabetização científica e tecnológica nas séries inicias do Ensino Fundamental. Inclusive, as contribuições ao se trabalhar com recurso metodológico organizado por meio de SD já foram evidenciadas em outros artigos e as pessoas autoras poderiam ter trazido informações destes trabalhos estabelecendo conexões com os seus resultados. Como já citei anteriormente, algumas conclusões me parecem equivocadas. Seja por não estar amparadas em fundamentação teórica, como no caso da aprendizagem significativa, seja por precipitação na análise, como na questão da mudança de hábito alimentar por parte dos alunos participantes. As pessoas autoras são assertivas em destacar a importância de se iniciar o processo de Alfabetização Científica logo nos primeiros anos da trajetória escolar dos estudantes.