Após a proposta de abordagem histórica apresentada nos pontos anteriores, é indiscutível reconhecer que o domínio das relações idade-trabalho, a história sócio-económica e cultural e a história científica estão estreitamente interligados (Teiger, 1995), o que significa que o estado actual das pesquisas efectuadas nesta área não se encontra estagnado mas continua a evoluir em função da conjuntura social e científica. Por outro lado, o facto de se verificarem evoluções marcantes na forma de fazer investigação não significa que as tradições mais recentes venham substituir as mais antigas ou que estas se tenham extinguido. A realidade é que coexistem diversas correntes teóricas, as quais sustentam diferentes perspectivas metodológicas e alimentam o debate sobre a forma de investigar o envelhecimento. Desta forma, a análise do conjunto de limitações do ponto anterior não tem a pretensão de desvalorizar a psicologia experimental, já que, em certos domínios, a sua contribuição continua a ser pertinente. Estas reservas podem igualmente contribuir para um alargamento das metodologias de investigação no sentido de uma maior preocupação com a validade ecológica (Marquié, 1993), como é o caso das abordagens em situação real igualmente referidas no ponto anterior. 49Actualmente, é crescente a referência à necessidade de uma perspectiva cada vez mais global em matéria de envelhecimento, progressivamente orientada para uma abertura a novos conceitos e relações, considerando a história pessoal dos indivíduos, a forte ligação entre condições de vida e condições de trabalho e entre trajectórias sociais e profissionais (DREES, DARES, & POSTE, 2003). A par das transformações associadas ao envelhecimento biológico e cognitivo, o avanço na idade deve ser encarado como um “desenrolar” de um ciclo de vida familiar ao longo do qual vão sendo assumidos diferentes papéis sociais e onde a natureza e as exigências se transformam em cada etapa (Queinnec, Gadbois, & Prêteur, 1995).
No passado os estudos relativos ao envelhecimento demonstram sobretudo uma ligação a dados quantitativos em detrimento de análise qualitativa, pois á época prevalecia uma visão economicista (assim, estes estudiosos procuravam sobretudo em saber se existia população ativa suficiente para dar resposta as necessidades do mercado de trabalho). Já os estudos mais recentes demonstram maior enfoque no bem-estar da população, nas suas necessidades e dificuldades a medida que envelhecem. Este fato deve-se, provavelmente, a quem solicitava os estudos, no passado eram pedidos pelos governantes enquanto que mais recentemente são os académicos, nomeadamente na área das ciências e humanidades.
Emanuela Couto