Deve-se lembrar quao pouca apreciag4o ha na literatura sobreas relacGes internacionais para o fato de que, como qualquer outra insti-tuigaéo social, a guerra é socialmente construida e em consequénciadepende parcialmente para persistir de idéias coletivas sobre ainevitabilidade da guerra e de se € desejavel para a conquista de ganhospoliticos, riqueza e gléria. Os construtivistas devem ser capazes de tes-tar a teoria de John Mueller da “obsolescéncia da grande guerra”(Mueller, 1989), mostrando se, como pratica, a guerra esta sendo coleti-vamente reificada como insuficiente, indesejavel e normativamente ina-ceitavel. Os construtivistas podem tentar mostrar se e como as mudangasna tecnologia nuclear (Jervis, 1988) e valores da guerra (Mueller, 1989)estaéo auxiliando na constituigéo de identidades anti-guerra que pro-movem o desenvolvimento de interesses e estratégias nacionais de pre-vencao de guerra (Adler, 1991b).Finalmente, embora a nogao de que a construg4o social de uminimigo (“‘o outro”) seja parte do desenvolvimento de identidades do “eu”tenha sido validada pela teoria da identidade social (Mercer, 1995) e ana-lisada por estudiosos pés-modernos (Campbell, 1996), os construtivistasdevem ainda desenvolver projetos de pesquisa que possam mostrar comoos inimogos e as ameagas militares s4o construidos socialmente por fatorestanto material quanto ideacional.
Sobre a Guerra