10 Matching Annotations
  1. Dec 2024
    1. Mais do que um esforço de conceituar a desinformação -movimento necessário, mas resguardado para trabalhos futuros -foi necessário, neste momento, entender um conjunto de problemáticas e implicações sobre as disputas sobre a informação científica em diferentes esferas. Quando as próprias lideranças políticas são apoiadoras e protagonistas nas mais diversas formas de dinâmicas de circulação da desinformação, e vão de encontro ainformações provenientes de fontes de instituições científicas, torna difícil o cidadão diferenciar o que é confiável ou não. Portanto, pensar a desinformaçãorequer um esforço analítico que vai além de categorias estanques que tendem a simplificar a informação em torno de definições dicotômicas e maniqueístas acerca da verdade, de suas fontes de confiança ou da intencionalidade dos sujeitos. Portanto, apesar de usar o conceito de desinformação neste trabalho, reconhecemos a importância de aprofundar novos quadros analíticos que possam dar conta das disputas sobre a informação mediante a um cenário no qual a desconfiança sobre as instituições epistêmicas tem se tornado um projeto político de lideranças mundiais.

      A estrutura geral está bem organizada, mas sua extensão poderia ser revisada para evitar repetições, como na parte inicial das considerações finais, em que há um longo resumo do que já foi discutido no artigo, o que pode ser reduzido para maior objetividade.

    2. Neste cenário, cabe a nós cientistas, sobretudo das humanidades, em entender e desvelar como essas agendas autoritárias sobre a informação têm se desdobrado, buscando discutir as implicações sobre medidas que estão sendo disseminadas como soluções urgentes e necessárias hoje.

      As conclusões estão bem alinhadas às discussões apresentadas ao longo do texto, oferecendo um panorama abrangente sobre os desafios enfrentados no combate à desinformação. O manuscrito inclui recomendações para o campo da comunicação e políticas públicas, mas poderia explorar de maneira mais específica os impactos práticos de suas propostas, além de explorar outras áreas que estão atreladas a desinformação científicas e possuem discussões bem fundamentadas no campo, como por exemplo, a Educação em Ciências.

    3. Considerações finai

      Embora seja um trabalho teórico, a análise apresenta argumentos bem fundamentados, com base no referencial teórico discutido. As evidências utilizadas (relatórios da OMS, estudos acadêmicos e análises de conjuntura política) corroboram as conclusões do artigo. No entanto, o manuscrito poderia se beneficiar de uma relação mais aprofundada com estudos na área de Educação em Ciências, especialmente no que diz respeito à Natureza da Ciência, destacando-se, por exemplo, os trabalhos de Douglas Allchin e Naomi Oreskes que apresentam uma abordagem mais ampla e detalhada sobre desinformação científica e outras temáticas pertinentes à área, o que auxiliaria no desenvolvimento de uma discussão mais sólida sobre a dimensão social da desinformação científica. Essa inclusão contribuiria para ampliar o escopo do manuscrito e enriquecer as implicações discutidas.

    4. Três abordagens para o enfrentamento à desinformação têm sido recorrentes na literatura científica (Müller, Souza, 2019): uma instrumental e classificatória sobre a verdade, através de ferramentas de checagem de fatos; uma devedora das teorias democráticas deliberativas, que defende que os cidadãos possuem competências para tomar decisões racionais a partir de suas próprias buscas por informação; e a esperança na educação, a partir de ações de letramento midiático e informacional. Discutiremos, portanto, algumas implicações, consequências e desafios para cada uma das três abordagens, a partir de perspectivas multidisciplinares que nos ajuda a entender o fenômeno em sua complexidade.

      O manuscrito, de natureza predominantemente teórica, adota a revisão de literatura e a análise conjuntural como metodologias principais, buscando identificar padrões e variáveis que moldaram o cenário pandêmico, sem negligenciar sua conexão com processos históricos e estruturais mais amplos. A escolha dessas metodologias torna-se apropriada aos objetivos do estudo. No entanto, seria enriquecedor se houvesse uma explicitação mais clara da seleção das fontes e dos critérios de inclusão para as referências analisadas. Além disso, o uso de figuras, tabelas ou gráficos para sistematizar os principais argumentos poderia contribuir para a clareza e acessibilidade das informações.

    5. Desinformação: em busca de um conceito para além da intencionalidad

      O referencial teórico do artigo é composto por autores clássicos e contemporâneos, oferecendo uma base sólida e atualizada para a discussão proposta. Essa abordagem permite articular conceitos fundamentais com questões emergentes como a desinformação científica, promovendo uma análise crítica e abrangente.

    6. a Organização Mundial de Saúde(OMS) anunciou que estávamos atravessando não apenas por uma pandemia, mas também uma infodemia, que representa um sério problema para a saúde pública, já que as pessoas precisam de orientação e informações para saber quais ações devem ser tomadas para proteger a si e aos outros e ajudar a mitigar o impacto de uma doença (OMS, 2020).

      A escolha do tema é pertinente, especialmente pela relevância do combate à desinformação científica, intensificada, sobretudo, pela pandemia de COVID- 19, amplamente discutido ao longo do manuscrito.

    7. a proposta deste artigo vai aoencontro desta urgência de apresentar um diagnóstico sobre a desinformação e as disputas epistêmicas no enfrentamento à desinformação relacionada à ciência no contextode pandemia

      Embora os objetivos de pesquisa estejam apresentados, a formulação da questão de pesquisa, propriamente dita, não está claramente delineada.

    8. este artigo se desdobra em quatro partes

      O artigo se organiza em quatro partes. Inicialmente, discute os limites conceituais da desinformação, explorando aspectos relacionados à intencionalidade e à confiança em fontes institucionais legitimadas. Em seguida, analisa a recepção da informação, abordando estratégias para combater a desinformação presentes na literatura da área de comunicação, como ferramentas de checagem de fatos, teorias deliberativas e letramento midiático e informacional, além de considerar contribuições multidisciplinares de outros contextos. A terceira parte enfoca a crise epistêmica no Brasil, destacando a descrença nas instituições de conhecimento e o avanço do conservadorismo, que promove uma agenda de guerra contra a desinformação. Por fim, examina como essa agenda se manifesta nos Três Poderes e nas disputas políticas, legislativas e judiciais, buscando oferecer um panorama dos desafios para enfrentar a desinformação científica em um cenário de disputas informacionais e autoritarismo crescente. Nesse contexto, os eixos temáticos abordados (sociais, políticos e jurídicos) são coerentes com os objetivos propostos.

    9. Este tem sido um grande desafio, sobretudo porque não se trata de falta de informações, mas um conjunto de crenças consolidadas que vão de encontro com valores estabelecidos em torno das instituições científicas como espaço de produção de informações confiáveis e evidências para tomada de decisão. Este conjunto de crenças

      A linguagem é adequada, mas a concisão poderia ser aprimorada, ou seja, neste trecho, há repetição no uso de "informações" e "conjunto de crenças", o que poderia ser reescrito para maior fluidez.

    10. Como enfrentar a desinformação científica? Desafios sociais, políticos e jurídicos intensificados no contexto da pandemi

      O título do manuscrito "Como enfrentar a desinformação científica? Desafios sociais, políticos e jurídicos intensificados no contexto da pandemia" reflete adequadamente o conteúdo discutido, abrangendo aspectos relevantes da desinformação científica em contextos sociais e políticos.