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  1. May 2022
    1. Apesar do quadro positivo relacionado à aptidão e apoio formativo, 85% dos respondentes têm a percepção de que os estudantes aprendem menos ou muito menos via educação mediada por tecnologia.

      Este trecho destaca bem uma crença negativa que a pandemia deixou em relação aos usos da tecnologia como mediadora na aprendizagem. Acredito que o momento caótico que forçou o uso da tecnologia esbarrou no despreparo... Questões como infraestrutura, familiaridade com plataformas, saúde mental, o medo da situação, etc, podem ter influenciado tanto docentes como alunos a acreditarem que no formato remoto "não se aprende". Acredito que após todo o processo de desgaste da pandemia, podemos olhar as tecnologias como aliada, e pensar em estratégias como, planejamento, ouvir os estudantes- que são nativos digitais- feedbacks, personalização da aprendizagem e recursos adequados, para de fato as tecnologias mediarem uma aprendizagem significativa e levarem o futuro para a sala de aula.

    2. Existe, entretanto, uma urgência na revisão e adequação do atual modelo de educação mediada por tecnologia por meio de novos formatos que garantam a aprendizagem significativa dos estudantes, bem como permitam que essa trajetória educativa seja avaliada de forma assertiva. Tais pontos, entretanto, dependem não somente da busca por novos formatos tecnológicos, mas de intensa e competente formação dos professores e outros profissionais da educação.

      Este trecho me faz refletir que os desafios são muitos, mas é possível que seja rapidamente superado com o alto investimento em nossos docentes. Além de aprenderem a usar as tecnologia digitais de comunicação em sala de aula, os professores precisam pensar este uso para a aprendizagem significativa, e não mais como um meio de reverberar a metodologia de ensino tradicional. Assim, as tecnologias e seus usos em sala de aula contribuirão para a formação do estudante enquanto protagonista da sua própria aprendizagem.

    3. Apesar de todo o suporte, a enorme diversidade de realidades educacionais, sociais e econômicas dentro do Estado é, por si só, um grande desafio mesmo em períodos não emergenciais. A pandemia trouxe um cenário ainda mais desafiador e que precisa ser compreendido de maneira aprofundada, a fim de gerar novos conhecimentos e mapear possibilidades de ações para o presente e para o futuro.

      A situação do estado de São Paulo reflete os Brasis afora. Quando estourou a pandemia eu já não atuava mais em sala de aula, mas imaginava como a escola em que ensinei por dois anos, aqui em Olinda (PE), iria sobreviver a este período. O colégio é uma pequena escola particular na periferia, muitos alunos não tinham acesso a um smartphone ou wi-fi em casa... Os docentes eram mais velhos do que eu e a familiaridade que tinham com as tecnologias era o básico, a estrutura também era muito pequena para acomodar um laboratório de informática, por exemplo. Imagino o desafio que foi para todos os agentes envolvidos em cenário tecnológico mais precário sobreviver ao modelo remoto. Durante toda a especialização refleti sobre as heterogeneidades que o Brasil precisa superar para que, de fato, a tecnologia chegue para somar em sala de aula. Além da questão do acesso a elas por parte dos alunos, devemos sempre refletir também no acesso e familiaridade do docente. É preciso um alto investimento em formação continuada para os professores.