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  1. Nov 2023
    1. É hoje globalmente aceite que as evoluções relacionadas com a idade são muito sensíveis aos constrangimentos vividos ao longo do percurso profissional e que a exposição a determinadas condições, nomeadamente de trabalho, pode ter um efeito ainda mais importante do que a idade por si só (Volkoff et al., 2000).

      Entendo com este parágrafo , que as mudanças relacionadas à idade são fortemente influenciadas pelas experiências e condições de trabalho ao longo da carreira profissional. Esses fatores podem ter um impacto ainda maior do que a própria idade. Isto sugere uma importância acrescida de considerar o contexto e as circunstâncias individuais ao avaliar os efeitos do envelhecimento. No entanto, é crucial lembrar que essas influências podem variar significativamente entre indivíduos e profissões e que mais pesquisas são necessárias para entender completamente essas complexidades e a forma como se podem integrar nos dias de hoje. Rita Afonso

    2. Concretamente no que respeita ao envelhecimento, os declínios que geralmente são verificados ao nível das capacidades elementares (percepção, memória, etc.), contribuem para que os efeitos da idade sejam avaliados tão frequentemente de forma quantitativa (Volkoff et al., 2000) através de indicadores de performance bastante limitados, ao marginalizarem o papel da experiência, da construção de estratégias e as influências situacionais.

      Verifica-se que o envelhecimento geralmente leva a declínios nas capacidades elementares, como perceção e memória. Esses efeitos são frequentemente avaliados quantitativamente, no entanto essa abordagem limita a avaliação ao desconsiderar a experiência, a construção de estratégias e as influências situacionais. Rita Afonso

    3. A noção de envelhecimento pode assim ser considerada uma criação relativamente recente ligada à sociedade industrial, uma “mistura de preconceitos e argumentos científicos” (Gaullier, 1988, p. 115, tradução livre) que traduz diferentes concepções do que se considera “trabalhador velho”, em função da dinâmica sócio-económica : em período de crescimento ou de guerra, o trabalhador mais velho é valorizado porque se procura mantê-lo activo ; em período de crise, pelo contrário, insiste-se numa representação associada ao absentismo, à sinistralidade, à doença e à falta de produtividade porque se procura fazê-lo sair do sistema (Gaullier cit in. Laville, 1989).

      A noção de envelhecimento é tida como uma criação recente ligada à sociedade industrial, reflete diferentes conceções do “trabalhador velho” baseadas na dinâmica socio-económica. Durante períodos de crescimento ou guerra, o trabalhador mais velho é valorizado e incentivado a permanecer ativo. No entanto, em tempos de crise, a imagem do trabalhador mais velho é associada ao absentismo, a acidentes, a doenças e a falta de produtividade, com o objetivo de encorajá-lo a sair do sistema. Rita Afonso

    4. Todas estas evoluções conduziram a uma nova concepção do envelhecimento.

      Quero realçar que a nova concepção de envelhecimento enfatiza a cognição sobre o biológico, a compensação/plasticidade sobre o declínio, e as estratégias sobre a performance. O envelhecimento é agora visto como um processo de desenvolvimento contínuo, que começa no nascimento e se prolonga ao longo de toda a vida, sendo moldado pela experiência individual. Rita Afonso