a digitalização em massa das obras protege e incrementa a visibilidade de obras outrora raras, se não inacessíveis. Nunca até o presente os cinéfilos tiveram um acesso tão facilitado ao corpus dos filmes engajados e experimentais, em versões certamente degradadas, mas que permitem ao menos a consulta.
A acessibilidade às obras significa uma maior adesão ao cinema? Podemos dizer que há uma democratização de acesso, mas também há uma democratização do cinema em si? A linguagem consegue também atingir uma grande massa, no mesmo escopo que sua divulgação alcança? Questiono-me se essa difusão ampliada significa uma democratização de conhecimento. Penso que as obras promovem difusos atravessamentos em espectadores diversos, mas não sei dimensionar a qualidade deles.