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  1. Jul 2025
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    1. Figura 7 - Princípios para desenhar e-atividades42

      A minha reflexão sobre os princípios ilustrados na Figura 7 tem no caso do ensino de algumas áreas fundamentais da engenharia (por exemplo física, eletrónica, sistemas embebidos…), uma aplicação que considero um bom exemplo: a conceção e uso de laboratórios remotos (com experiências reais, através de equipamentos controlados à distância, e virtuais, através de simuladores). As e-atividades que este tipo de abordagem permite vão muito além de meros exercícios, materializando estes quatro princípios de forma exemplar. Propiciam a interação, não só entre os participantes, mas também a interação direta e prática com equipamentos e fenómenos reais. Estimulam a autonomia, ao permitir que os participantes conduzam experiências ao seu próprio ritmo, cometendo erros e aprendendo com eles, algo que é fundamental para a "aprendizagem profunda". Promovem a abertura, pelo acesso a equipamentos de laboratório dispendiosos e específicos, que de outra forma estariam inacessíveis à maioria dos participantes. Reconhecem a diversidade de aprendizagem, por permitirem um aprender pelo fazer, tanto a participantes com gosto pela prática, como aos que ficam inibidos na presença dos equipamentos (com medo de estragar pela “falta de jeito”), complementando a aprendizagem teórica. A pertinência deste modelo tem um exemplo paradigmático no que levou ao desenvolvimento dos ambientes (ferramentas, formas de uso, atores…) que tornaram possíveis os temas que abordámos neste curso. O trabalho de Sir Tim Berners-Lee no CERN, que deu origem à World Wide Web e aos primeiros web browsers, foi uma resposta a uma necessidade premente: permitir que milhares de cientistas, geograficamente dispersos, pudessem colaborar, aceder a dados e operar remotamente equipamentos nos projetos do maior laboratório de física de partículas do mundo. O artigo (https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-0221/3/08/S08003) que apresenta a experiência ATLAS, uma das duas que comprovou em 2013 a existência do bosão de Higgs - a mítica partícula que se procurava sem sucesso há décadas - tem 2927 autores, ilustrando-o bem. A WWW nasceu, portanto, da necessidade de "laboratórios remotos" para uma comunidade científica global. Tendo vivido de perto essa experiência (um dos 2927), e sabendo que há assuntos que só se aprendem realmente fazendo, tenho a convicção, já com algum tempo (e também contacto com o assunto: https://www.physics.rutgers.edu/~eandrei/389/muon/1322-1326.pdf) de que estes laboratórios remotos, permitindo aos estudantes de cursos no formato de e-learning fazer trabalhos experimentais (e, como vimos, fazê-los de forma semelhante ao que se faz em algumas áreas da investigação fundamental), devem ser uma parte integrante destas e-atividades em determinados cursos. É certo que, como foi mencionado numa das sessões síncronas, o investimento inicial e a manutenção são exigentes, condicionando a oferta formativa. Parece-me, no entanto, que é um investimento com retorno seguro.