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  1. Jun 2023
    1. “Poeta tão respeitoso da poesia que, em sua presença, não queria nem regras, nem leis, nem ciência, nem crítica, nem tradução, nem ordem, mas apenas a poesia que estremece nua em um cérebro;

      Ainda na lógica da semiótica, essa fala me remete à uma certa rebeldia em relação aos estudos de Platão sobre o mundo inteligível e o mundo sensível, onde é criada uma terceira categoria chamada "simulacro" que se constitui pela "cópia da cópia", em outros termos, a arte, pois esta tende a imitar o mundo sensível que já é considerado uma cópia do mundo inteligível.

      Em contraposição a esse pensamento, surge Aristóteles com uma visão muito mais aberta ao campo artístico e que acredita na possibilidade de "brincar" com a língua para atingir algo que o mesmo chamava de "katharsis" que seria a plena realização emocional de um indivíduo a partir da arte. A poesia era considerada por ele uma das principais e mais importantes formas artísticas de expressão, e a forma com que esse autor se expressou sobre sua relação com a poesia lembra bastante esse paradigma sobre qual seria o lugar da arte em nosso mundo.

    2. – Desde o Renascimento ocidental, as imagens participam de um empreendimento científico, a conquista do visível e, em seguida, do invisível

      Esse trecho me faz lembrar sobre como a construção imagética de mundo que temos hoje é fortemente pautada no ocidentalismo e na lógica da semiótica de Ferdinand de Saussure, um dos mais importantes estudiosos desse campo. Essa dualidade entre visível e invisível soa bastante semelhante aos conceitos do linguista de significante (a imagem acústica, ou seja, o “material” ou a representação) e significado, que seria o sentido que uma sociedade denomina para tal objeto/composição.

      A “conquista” do invisível nessa fala me pareceu um desmembramento muito comumente usado no campo artístico ocidental: a subversão desses dois conceitos para a criação de novos sentidos, e o vídeo do efeito Kuleshov visto em uma das aulas é um ótimo exemplo desse desmembramento. Ao juntar o frame de um homem com outras imagens, como a de uma mulher ou uma criança falecida (significantes), gera-se outro significado que não é comumente associado àquelas imagens sozinhas, como o sentimento de paixão e tristeza, respectivamente.