“Poeta tão respeitoso da poesia que, em sua presença, não queria nem regras, nem leis, nem ciência, nem crítica, nem tradução, nem ordem, mas apenas a poesia que estremece nua em um cérebro;
Ainda na lógica da semiótica, essa fala me remete à uma certa rebeldia em relação aos estudos de Platão sobre o mundo inteligível e o mundo sensível, onde é criada uma terceira categoria chamada "simulacro" que se constitui pela "cópia da cópia", em outros termos, a arte, pois esta tende a imitar o mundo sensível que já é considerado uma cópia do mundo inteligível.
Em contraposição a esse pensamento, surge Aristóteles com uma visão muito mais aberta ao campo artístico e que acredita na possibilidade de "brincar" com a língua para atingir algo que o mesmo chamava de "katharsis" que seria a plena realização emocional de um indivíduo a partir da arte. A poesia era considerada por ele uma das principais e mais importantes formas artísticas de expressão, e a forma com que esse autor se expressou sobre sua relação com a poesia lembra bastante esse paradigma sobre qual seria o lugar da arte em nosso mundo.