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  1. May 2021
    1. este estudo revela que a transição de um membro da família para tornar-se cuidador de idoso com DP é um processo complexo, que envolve diversas fases e depende de diferentes fatores relativos ao contexto familiar

      A teoria das transições assume um cariz forte na área interventiva do Enfermeiro, a partir do desenvolvimento de intervenções que melhorem um bom cuidado e antecipem situações de mudança nas pessoas, famílias e comunidades. Torna-se um desafio muito próprio do enfermeiro especialista o planeamento do cuidado nas transições, enquanto processo e resultado, ao longo do ciclo vital, estabelecendo intervenções e estratégias nas diferentes dimensões do cuidado ao próprio e ao outro De igual modo, com recurso ao modelo de promoção de saúde de Nola Pender, onde a Enfermagem só existe em colaboração com os envolvidos, o cliente, a família e a comunidade se pode alicercear uma pratica para o empoderamento e auto capacitação, num domínio funcional próprio, eficiente e profissionalmente competente. Meleis (2010) explica que toda a transição implica uma mudança no estado de saúde, nos papeis sociais, nas expectativas e competências, que requer muitas vezes uma desconexão social, perda temporária de objetos ou temas de referência, surgem novas necessidades e expectativas. Sob essa perspetiva, a transição requer que o indivíduo incorpore novos conhecimentos, altere o comportamento, redefina o seu contexto social, e a sua própria identidade …no continuum saúde/doença ou das necessidades internas e externas que afetam esse estado do eu. Ora esta nomeação ou transição para o novo papel de ser cuidador de uma pessoa com Parkinson, como nos mostra o artigo em análise, surge acompanhada de uma crise na esfera familiar, pela interrupção com o previsto, com a vida anterior, altera a dinâmica familiar, provoca mudança de papéis de forma imprevisível e não planeada, e pode mesmo ter impacto negativo na economia e qualidade de vida familiar. A convivência com esta problemática ao longo do meu percurso profissional, enfatiza a importância da intervenção do enfermeiro na capacitação do cuidador informal desde a admissão ao planeamento para a alta e referencia à rede comunitária, no sentido de gerir os desafios em saúde que terão que vivenciar neste processo de transição dinâmico do utente com uma nova condição de saúde e da consciencialização e capacitação do seu cuidador informal. Neste sentido a aquisição de mestria por parte do cuidador informal, são condições chave para a ocorrência de uma transição saudável, positiva e enriquecedora, sendo possível com um equilíbrio entre os recursos e os défices da pessoa no pré e pós-transição. Segundo a DGS, estima-se que em Portugal existam cerca de 235 mil pessoas cuidadas em situação de dependência, mas somente em 2019, o país vê legislado o estatuto do cuidador informal , onde deveres e direitos ficam assentes na Lei n.º 100/2019 de 6 de Setembro, mas embora com ganhos, ainda um longo caminho teremos de percorrer em matéria de recursos, programas e apoios a esta franja bem vulnerável e significativa da população, na sua maioria jovens idosos independentes que cuidam de outros idosos com dependência múltipla.<br> Marlene G