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  1. Jul 2023
    1. eleva-se uma preocupação no sentido de preparar osestudantes para uma situação profissional futura

      Sendo conhecedor da reflexão desenvolvida no seio do neo-humanismo alemão sobre o conceito de Bildung ou formação (por autores como Wlhelm von Humboldt, Hegel ou Herder) esta preocupação com a aplicação prática do saber suscita-me reservas. A Bildung é, acima de tudo, um processo de autodeterminação e de desenvolvimento pessoal não subordinado a fins práticos, baseado na multiplicação de experiências e na abertura a outras perspetivas. A Bildung pode coabitar com um ensino profissionalizante, mas não se confunde com ele. Importa não perder de vista esta distinção, que tem claras implicações práticas. Uma referência: Forming Humanity – Redeeming the German Bildung Tradition. Chicago University Press, 2019. Rui Silva

    2. Autenticidade

      Problemático: este critério parece sugerir um afunilamento de competências, mas há competências de carácter transversal a múltiplas áreas; competências argumentativas gerais, por exemplo. Rui Silva

    3. dez critérios de qualidade:autenticidade, complexidade cognitiva, justiça, significância, carácter direto (directness),transparência, consequências educacionais, reprodutibilidade das decisões,comparabilidade e custos e eficiênci

      Por ser um ponto importante, é pena que surjam aqui conceitos que não são totalmente claros neste contexto, como justiça, reprodutibilidade ou directness. Update: os critérios são explicitados algumas páginas à frente...

    4. O conceito de competência, do nosso ponto de vista, define-se como a capacidade pararesponder com sucesso a uma solicitação, pessoal e/ou societal, ou para efetuar umatarefa ou atividade que requer a mobilização de conhecimentos (implícitos e/ouexplícitos), habilidades, destrezas, capacidades, atitudes, emoções e valore

      A incorporação de "atitudes, emoções e valores" no conceito de competência surpreende-me, porque o meu termo de referência aqui é o programa do pensamento crítico que, desde as suas origens por volta dos anos 70/80 do séc. XX, defendeu a existência de uma dualidade competência/disposição (exemplo disso é Robert Ennis). Posso ter uma competência e não ter a disposição intelectual para a utilizar. Por isso é tão importante cultivar a dimensão disposicional do pensamento (virtudes intelectuais, disposições do pensamento crítico), um ponto que fica obscurecido diluindo-a no conceito de competência. Rui Silva