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  1. May 2023
    1. a Política dos Autores (Politique des Auteurs) precipitada em direção às masmorras do esquecimento da história tecnológica, perdeu seu combate: as obras não são mais procuradas por nome de autores, como para escritores ou pintores, mas por título do filme e data.

      Brenez faz uma provocação interessante, mas me parece que a crise do cinema de autor tem mais relação com a diminuição do espaço destinado aos filmes de médio orçamento nos grandes estúdios, um tipo de investimento de alto risco. Tirando os figurões da indústria (e olhe lá, Martin Scorcese teve dificuldade de financiar O irlandês), a produção autoral teve que se adequar muito à lógica do baixo orçamento, o que reduz algumas possibilidades criativas e de contato com um público mais amplo. O digital, na verdade, facilitou o acesso à filmografia completa de inúmeros diretores, antigos e contemporâneos, num fluxo mais horizontalizado de revisitações e apropriações possíveis.

    2. Fim do parêntese digital, a fotoquímica permanece diante de nós

      Há, aqui, uma preocupação óbvia com a questão da conservação da obra, mas é interessante como a resistência do analógico também revela algo da nossa própria experiência com a matéria, uma certa inclinação àquilo que pode ser tocado, pesado, cheirado, enfim.

    3. O cinema é um dos lugares que nos permite refletir sobre as relações entre imagens técnicas (produzidas por tecnologia, matemática etc.) e imagens psíquicas: como as primeiras fornecem meios de representação para as segundas, como as segundas servem como perspectiva de futuro para as primeiras

      Apesar de Brenez fechar um pouco a discussão em torno das imagens psíquicas (portanto, mentais), é possível convocar Vivian Sobchack para pensar essa circularidade em termos de "experiência (corpórea) da percepção" e "percepção da experiência", sendo o cinema "uma expressão da experiência por [meio da] experiência" própria do sujeito e mediada pela técnica.

    4. Harun Farocki

      Farocki foi um documentarista experimental. Junto com Andrei Ujică (citado mais pra frente), fez um documentário muito importante nessa intersecção da tecnologia das imagens com a política, o "Videogramme einer Revolution". Ele tá na íntegra no YouTube com legendas em inglês.