a Política dos Autores (Politique des Auteurs) precipitada em direção às masmorras do esquecimento da história tecnológica, perdeu seu combate: as obras não são mais procuradas por nome de autores, como para escritores ou pintores, mas por título do filme e data.
Brenez faz uma provocação interessante, mas me parece que a crise do cinema de autor tem mais relação com a diminuição do espaço destinado aos filmes de médio orçamento nos grandes estúdios, um tipo de investimento de alto risco. Tirando os figurões da indústria (e olhe lá, Martin Scorcese teve dificuldade de financiar O irlandês), a produção autoral teve que se adequar muito à lógica do baixo orçamento, o que reduz algumas possibilidades criativas e de contato com um público mais amplo. O digital, na verdade, facilitou o acesso à filmografia completa de inúmeros diretores, antigos e contemporâneos, num fluxo mais horizontalizado de revisitações e apropriações possíveis.