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  1. Aug 2015
    1. "Todo o ciclo de causas intermediárias não pode determinar absolutamente, só o absoluto pode determinar absolutamente, este é um princípio metafísico básico -- todo ente opera segundo o seu ser, o ser absoluto opera absolutamente, o ser relativo opera relativamente --, por exemplo, se eu quero alguma coisa, isto não determina absolutamente aquela coisa, apenas relativamente". Diz Gugu, ecoando Pollyanna e sua velha dicotomia do que "influencia" versus "o que determina".

    2. Gugu também diz algo surpreendente na resposta a essas perguntas (algo que eu havia pensado há muito tempo, numa conversa por telefone com o Bruno, no quarto 2 do hotel, mas só como uma possibilidade remota, relacionando com mecânica quântica e todos esses breguetes): ele diz que se seu vizinho está escutando música alta é porque Deus deixou. e como é que ele "deixa"? ele deixa da mesma forma que ele poderia impedir: nós não conseguimos fazer tudo que nós decidimos fazer, porque coisas surgem pelo caminho e nos impedem. estas coisas são em número ilimitado e elas estão sob o "controle direto" de Deus. Gugu dá vários exemplos, como Deus provocando um sono enorme no vizinho, Deus quebrando o som do vizinho, Deus desligando a luz do vizinho. o surpreendente disto é que, segundo o Gugu, Deus então não tem um controle direto sobre todas as ações do vizinho, mas só sobre coisas periféricas, e ao mesmo tempo sobre essas coisas ele tem um controle "direto" (visível? como se a mão de Deus fosse lá e esmagasse o som?).

      Gugu diz claramente que há um "elemento de indeterminação no universo" e que a determinação do absoluto age aí para determinar tudo o que acontece. Tudo bem que há todo um "ciclo de causas intermediárias" que levam a todas as conseqüências (e, em suma, a tudo o que acontece), mas ninguém nunca vai conseguir retraçar esse ciclo de causas intermediárias, ou vai ter que retornar até a criação do mundo, mas que nesse ciclo mesmo de causas há "momentos cruciais" em que uma coisa (ele diz "sorte, ou falta de sorte" em outro momento) poderia ter acontecido de vários jeitos, e acontece de um jeito específico.

    3. mulher fazendo as perguntas "normais" para o Gugu sobre determinismo e livre-arbítrio.

      são abordadas coisas como se Deus quer ou não que nasça uma criança pobre em uma favela, se Deus tem culpa das coisas ruins que as pessoas fazem, e aquela coisa de Deus criar o ambiente, as leis cósmicas, e então das às pessoas o livre-arbítrio para agir como elas quiserem ali dentro, e a partir daí Deus não manda mais nada.

      todas as perguntas são feitas ao estilo "eu entendo que as coisas são assim". e depois de uma das respostas do Gugu a mulher diz "eu entendi, mas não concordo".